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terça-feira, 1 de junho de 2010

Consideração sobre as "intoleráveis" religiões

Resposta a tópico no orkut:

As religiões não são a única causa das atitudes racistas, homofóbicas, misóginas. Existe uma estrutura socioeconômica na sociedade que permite e mantém essas atitudes. 

É só a gente pensar, por exemplo, na escola. Nosso grande objetivo no ensino médio é passar no vestibular. Matérias relacionadas à ética e a formação cultural do indivíduo são diretamente inexistentes e quando existem são matérias sem proposta pedagógica evoluída ou sem conteúdo reflexivo e questionador, mantendo o sistema de notas para avaliar os "bons indivíduos" e mostrar como são incompetentes e "rebeldes" os outros adolescentes. 

A escolha profissional vai sendo pautada no que "dá dinheiro" (só pensarmos nos tópicos da comunidade perguntando se "o mercado tá bom"), ou seja, os indivíduos vão sendo escolhidos, nos submetemos a trabalhos sem dignidade, extremamente desgastantes, aceitamos ser encoxados no trem e no metro porque estamos fazendo algo "produtivo" até o fim do dia, conseguiremos consumir alguns segundos de felicidade no fim de semana para sermos novamente encoxados na segunda-feira de manhã.

Nessas condições, as religiões aparecem para manter essa postura ideológica mas são mais um dos determinantes sociais que moldam o indivíduo.

Considerar "não tolerar o intolerável" pras religiões, é mais um discurso naturalizante pois a carga ideológica passa pro futebol...


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Questionando fraqueza II

Religião é bem mais complexa do que dizer que há um "inferno" e um "céu". Envolve uma experiência religiosa de êxtase. Nem sempre a própria identidade se mantém, obedecendo então aos ordenamentos do líder.

Eu como ateísta percebo que algumas pessoas têm consciência dos nossos argumentos, estão cientes e críticas, mas uma questão que eu sempre trago é: por que então essas pessoas permanecem acreditando sendo que não são burras, têm cultura, têm crítica?

Para Sartre, desenvolveria-se a angústia derivada da nossa liberdade e sua escolha e responsabilidade, algo ininterrupto pela nossa imanência no mundo, "podemos tudo menos deixar de ser livres". Dessa forma, haveria brecha para a instauração de um "ser necessário", causa de si mesmo, sua existência.

Por isso que é tão difícil de se desenvolver epistemológicamente em Psicologia. Heidegger bateu direto nessa "questão de ser", obscurecida pela história da filosofia como questão fechada, já determinada. O humano tem uma volatilidade muito grande, muda mas pode ficar preso com a mesma força que teria para mudar.

Assisti a um filme recentemente que aborda melodramaticamente essa concepção, The Watchmen ou "Os Vigilantes", em que super-heróis tem muitos poderes mas não podem mudar as escolhas que os seres humanos fazem. Isso desperta um conceito existencial: não podemos mudar as pessoas mas dar os motivos para que elas mudem, uma vez que elas e apenas elas fazem por si mesmas.

E a discussão ética volta: "maquiavelianicamente", eu prefiro que uma pessoa então acredite que Deus existe, faça o que é certo e bom pra sociedade, se isso é o que a manterá. Importante é que haja crítica para que se perceba que a sua não-existência não implicaria em ruína do que é humano, isso é natural.