Para Jacques Lacan (Psicanalista Francês), o que faz do outro desejável é justamente a falta que ele denuncia ao sujeito . Podemos pensar ao Ler´´ Sobre o Narcisismo : uma introdução`` do Dr. Sigmund Freud -1914, que o sujeito enquanto fálico é a causa do desejo ´´o ego deseja incorporar este objeto ``.
Ao discorrer do mesmo texto Freud salienta que ´´A separação dos instintos sexuais dos instintos do eu , reflete a função dúplice do sujeito. Tal função dúplice seria a de dar vazão tanto aos instintos de plusão de vida quanto aos instintos de pulsão de morte.
Ao ler os textos de Freud , e através da própria reflexão que chegou como convite à minha psicanálise pessoal , tiro algumas conclusões precipitadas à partir daí ; A busca do sujeito pelo outro caso esteja direcionada à somente uma dessas duas instâncias que regem o desejo seria uma aniquilação das pulsões naturais .Ainda que saibamos que só é desejavel o que não se possui , aqui concordo com o texto de Marcelo Shiavo (postado no dia 7 de setembro) , o ser enquanto tal será sempre a denuncia da falta e não da posse do outro , ainda assim quanto mais amplamente o outro sugestionar que realizo no simbólico tais pulsões podemos crer que esta suprindo tal falta .
terça-feira, 8 de setembro de 2009
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Egocentrismo? Humanos individualistas?
Pra mim, egocentrismo seria considerar o humano como um ser faltante, carente, determinado pelas posses, que só se relaciona porque supostamente adquiriria posse e preencheria essa falta que se não fosse ontológica seria instalada pelos outros, daí então saber quem é feliz e quem não é. Essa concepção toma o ser humano por causa e estaria coerente com a afirmativa "eu TENHO relacionamento", "eu TENHO amor", "eu TENHO sexo". Uma maquina ideológicamente processada e enquadrada.
Eu parto de um princípio existencialista em que cada um faz para si mesmo, ser humano como projeto, transcendental, intencional. "Existência não é a necessidade. Existir, já está aí, simplesmente". Agir de forma individualista está numa dimensão "ôntica", contingencial a existência, relacionada à forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Não posso ser eu e ela ao mesmo tempo, não haveria temporalidade e espacialidade que caracterizam a existência humana. Da forma como propõe, relacionamento estaria mais para um imperativo categórico, um dever universal, inquestionável sem qualquer distinção de conteúdo.
Relacionamento amoroso nem pela ética helenística (prazer) seria coerente considerá-lo uma vontade ou necessidade indispensável.
Este texto também no orkut.
"tranformam-no ao que lhes bem agrade."
Hoje, ao voltar de São Paulo, eu experienciei um desses momentos que as pessoas chamam de "mágico". Pra variar, fugaz, repentino, lacônico.
Uma vez, numa situação oportuna, a professora doutora Maria Tereza Nappi, junguiana, disse-me que percebeu um conceito de Jung chamado "sincronia" acontecer comigo. Basicamente, ela descreveu como numa mesma noite e horário, sem que houvesse um motivo claro, uma palestra sobre neuropsicologia e a minha palestra sobre Bandura, com assuntos um tanto relacionados, aconteceram uma após a outra, num mesmo local, sem que isso tivesse sido combinado, e ainda mais pela conhecidência de ocorrem tão proximamente para que fosse suficiente uma saber da outra.
Pois bem, ao ler o comentário da colega graduanda de Psicologia, Luciana Moutinho, sobre a ação humana manipuladora, eu pensei "por que não ampliar esse conceito para a ação humana manipuladora em massa, a instituição?" O momento mágico que eu introduzi na primeira fase do post se encaixa perfeitamente aqui.
Enquanto estava olhando as construções na Bernadino de Campos, perto da Paulista, próximo de parar em função do vermelho no faról, eu avistei um mendigo começando a atravessar a rua. Ele não atravessou na faixa, bem antes. O suficiente para ter de diminuir a velocidade do carro antes do normal. Daí que, pra mim, nesses momentos de contemplação, há as grandes oportunidades de trazer à tona uma grande reflexão. O mendigo...acho que eles se cadastram e recebem uma carteirinha para conseguir serem tão distintos. Esse mendigo que eu vi e me fez reduzir antes do normal não era normal. Andar sinistro, cabisbaixo, lento, com passos duros e cambaleantes, cabelo (bem) grande (para cima), carregava uma lata de tinta média e azul sem tinta com alguns utensílios indicerníveis dentro, um saco de batata cheio sem batata, beje com um fio branco e longo saindo pelo fundo do saco, um cobertor preto com listras brancas dobrado, vestindo uma roupa simples, jeans sujo com uma camiseta preta. A única coisa que veio espontaneamente no pensamento: "ele tá carregando a casa nas costas". Esse é livre, ele não tem uma casa pra ir, ele é um andarilho, vagando de cantos em cantos, jogado na natureza de pedra, não precisando de carro pra se locomover, nem de chave para abrir o que lhe pertence. Daí os "biases" cognitivos começaram a interferir no pensamento:
O índio é totalmente independente. Ele planta e faz sua própria comida, sua própria casa, tem a sua própria forma de se divertir, de se ritualizar e contemplar. Mas, e já direcionando para o objetivo do tópico, como pode o mendigo que partilha desse mesmo tipo de liberdade do índio estar numa condição totalmente diferente de saúde e vida? Por quê? A instituição.
Estamos mais dependentes do que nunca no meio social urbano. Parece até que continuamos como quando nascemos, com a cabeça maior que nosso corpo e não conseguindo nos equilibrar, precisando da papinha dos outros para sobreviver. Essa é a mesma condição do mendigo. Totalmente instituicionalizado, olhando para ele sinto como se visse um castelo de areia, esperando um vento para se desfazer.
O mendigo está como dependente, e no fundo, todos nós estamos como ele. Dependentes mais ou menos de salário e do que construímos, explorando ou não os outros, e ainda conseguimos dizer que somos "independentes", seja financeiramente ou amorosamente. Não, não somos. Nós nos desenvolvemos de forma dependente, de tudo o que nos cerca, estabelecendo ainda, ideológicamente, essas condições como necessárias, faltantes. Vamos sendo moldados, um explorando um pouco do outro e cada um se equillibrando com seus pedaços.
O que é irônico, pois nascemos só, e morreremos só. Essa é condição ontológica humana, Heidegger a descreve bem. Nosso estado de natureza é a simplicidade. Mas conseguimos à medida que crescemos, não apenas perder esse estado de natureza para um estado de dependência, como conseguimos a proeza de abandonar o que nós tivemos por bom na infância, por sonhos, por desejos e curiosidades. Diz-se até que isso é "infantil" para o adulto. Quer dizer, crescemos para deixar os sonhos para trás, para manter uma condição limitada, centrada, estressada, medrosa, preocupada. Eu pensava que crescer fosse exatamente fazer esses sonhos se tornarem realidade...
Sobre a instituição, utilizamos seus dispositivos para definir os outros, pior, para avaliar o humano. Isso não se limita ao relacionamento como abordei nos posts anteriores, mas a tudo que o indivíduo desenvolve em sociedade. Isso é basicamente a avaliação pelas posses. Imagine o quanto é necessário de ideologia para transformar a experiência numa posse. É a única forma de fazer com que a pessoa se limite e desconheça suas potencialidades.
Marcadores:
autonomia,
ideologia,
independência,
índio,
institucionalização,
mendigo,
potencialidade,
sobrevivência,
sonhos de infância,
urbano,
vida em sociedade
sábado, 5 de setembro de 2009
O que se busca num relacionamento?
Primeiro vc precisa definir a que tipo de relacionamento você está se referindo, amoroso, conjugal, familiar, animal.
A que pessoas você está se referindo, mulher, homem, adulto, criança, idoso.
Depois que tipo de orientação, sociedade, disposição socioeconomica e etc.
Como você já definiu "pessoas", é suficiente para demonstrar que estamos falando de interação, existência. Logo, definições evolucionistas como R sexo masculino (fecundação maior n de fêmeas) e r sexo feminino (cuidadora) não são suficientes para nos definir pois não é necessária a fecundação "in natura" para gerarmos um novo ser da nossa espécie. O que poderia se dizer é que somos autopoiéticos, recriamos a nós mesmos. Discute-se inclusive o quanto o homem é necessário em relação a isso. Por enquanto temos com certeza a biologia ao nosso lado pois é prazeroso para nós e todos os outros animais o acasalamento. Mas mais uma vez, com a capacidade superior humana de imaginação/racionalização, procuramos meios desse significado biológico ir por àgua baixo uma vez que o prazer está mais direcionado às maquinas que nós mesmos criamos do que ao sexo "em si".
Se você pretende buscar o relacionamento pelo prisma "universal", algo que seja comum para todos os povos independentemente das condições mencionadas acima, então você entra num campo mais comum da filosofia, que é o pensamento do todo, e provavelmente vai desembocar num conceito de ontologia humana embasado na filosofia voluntarista ou na filosofia existencialista que são as reações à metafísica e aos modos de conceber o humano ao longo do pensamento ocidental.
Para a psicologia, o que pode ter conexão direta de pesquisa são as formas de conceber esse relacionamento considerando todas as suas dimensões, por meio dos comportamentos e significados atribuídos ao longo da relação ou apenas pelos comportamentos num prisma anti-mentalista. Ou seja, nossa preocupação não seria tanto de procurar desvelar todos os fundamentos universais humanos mas como a potencialidade desses fundamentos se dá (já que eu sou abertura, o que é este outro para mim? - Dulce Critelli) nos relacionamentos que ela estabelece ao longo da vida. Vale lembrar por exemplo que isso envolve a concepção de coerência, ou seja, a pessoa manter comportamentos similares com pessoas e locais diferentes, ou então a criatividade, capacidade de inovar e flexibilizar sua conduta, chamado rapport erikssoniano.
Algo que eu li recentemente e tem fundamento na filosofia nietzschiana é o pensamento do corpo pelo corpo mesmo, ou seja, o que o corpo sente é o que queremos e o que estimulará nossa vontade de poder. Isso me faz pensar nas limitações que estabelecemos no relacionamento e na nossa vida como um todo e essa concepção é corrente em diversas teorias e práticas atuais na psicologia, principalmente nas que estudam a questão da liberdade e a ausência de causas para o existir humano.
Como vc pode ver, o caminho que pauta seu "o que" no relacionamento para uma relação de causa encontra lacunas e pouca autenticidade, uma vez que limita e desconsidera a capacidade intencional humana, como por exemplo na expressão da arte (fundamento humano para Nietzsche).
Com essa base, a minha resposta tem mais sentido: o que se busca do outro é existência. Eu ainda não tenho um embasamento sintético dessa resposta, mas é basicamente conceber o relacionamento não como causa (eu tenho relacionamento para ter isso e aquilo) mas como consequência/contingência (eu SOU relacionamento). Tudo o que eu faço é relacionamento. Um relacionamento de uma forma específica não pode ser determinado como necessidade, mas como mais uma possibilidade, em coerência ao conceito de factiticidade, humano como jogado na natureza e contingência sartriana. Mesmo que algo não exista ou que seja um evento não compartilhado eu me relaciono. Independentemente se estou num relacionamento amoroso, eu já estou me relacionando. Daí que as perguntas iniciais começam a ter um sentido mais nítido. Pois aí sim eu passo a considerar o relacionamento amoroso não como um fim, necessidade, preenchimento de falta, dever, mas como possibilidade e diversidade de com quem, quando, como, onde, por que, pra que. Aqui se revelam todas as barreiras teóricas e ideológicas que nós podemos ter.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Casos de Saúde Pública
• Suicídio está entre as 10 maiores causas de morte no mundo, sendo a 3ª entre 15 e 34 anos e a primeira entre jovens dessa idade na China.
• 5 maiores países com índices de suicídio em número absoluto: EUA, Rússia, Índia, China e Japão.
• Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo são obesas, sendo mais de 65% da população americana obesa e mais de 40% da brasileira. Os EUA gastam cerca de US$147 bilhões por ano para tratamento da obesidade, 9,1% do total gasto em saúde.
• No Brasil, em 2003, 45,3% foi o gasto público do gasto total em saúde, índice baixo para países com sistema universal de saúde.
• Em 2006, 40 bilhões de reais foram destinados ao SUS, média de R$137 por habitante, 50 centavos/dia. Comparando com Canadá, dá menos de 10% do total investido em saúde pelo governo deste país que tem gasto público em saúde de 70% público do total. (dados da OMS)
• Na Argentina, 70,5% do gasto total em saúde é público. Cuba, 86,8%. Reino Unido, 85,7%.
• Nos EUA, 44,6% do gasto total é público, sendo 15% PIB (olha quanto, BR é 7,6%). Muita gasto e um dos menos eficiente. Quase 1 quinto do PIB deles é gasto em saúde e 47 milhões de cidadãos ou aprox. 10% não têm seguro-saúde.
• Nos EUA, o financiamento público é levado a cabo pelo Medicaid (crianças, grávidas, incapacitados) e Medicare (idosos, acima de 65 ou em estágio terminal). O primeiro é verba federal e estadual, sendo 17% do fundo total do estado investido só nele, o último é investimento apenas federal.
• De cada dólar gasto em saúde nos EUA, apenas 4 centavos são para estratégias de prevenção.
• França: 96% população é atendida pelo sistema público.
• Na Itália, o sistema público de saúde é acessível somente para os cidadãos italianos. Turistas precisam do seguro-saúde.
• Em Cuba, cada habitante recebe de saúde US$ 275 por ano pelo governo.
Referências:
Documentário SOS Saúde - Michael Moore
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/09/080910_suicidiochinafn.shtml
http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/manual_prevencao_suicidio_saude_mental.pdf
http://pt.wikipedia.org/wiki/Suicídio
http://portaldocoracao.uol.com.br/ansiedade-e-depressao.php?id=3501
Marcadores:
causas de morte,
gasto público em saúde,
índices,
obesidade,
porcentagem do PIB,
saúde pública,
seguro-saúde,
sistema público de saúde,
suicídio
Assinar:
Postagens (Atom)