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sábado, 5 de junho de 2010

Comentário sobre reportagem "Cabeça de homem"


Branco, alto, magro, sem calvice, com carro e imóvel, sorriso claro sem falhas, estabilizado financeiramente, com/concluindo superior.
"Pequena amostra" seletíssima...
A "mulher ideal" deles é simplesmente uma mulher inteligente e simpática, provavelmente com formação superior, que saiba agradar em casa e ao sair para comer/beber/dançar, sem ciúmes e com projeto para vida profissional.
Se considerarmos que a escolaridade média das mulheres é mais alta que a dos homens, que elas estão conquistando grande espaço/qualificação no mercado de trabalho, que dança lhes é algo incentivado culturalmente, que é difícil uma mulher gostar de ficar plantada em casa, o "ideal" que sobra é "não quero casar mas me dedico a você". bah...





quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Amizade entre homem e mulher

Um colega pergunta: Como a sociedade vê a amizade entre homem e mulher, sendo os dois heterossexuais? Há preconceito?

Engraçado que se pensa isso quando a questão é em relação ao sexo oposto.

Amizade já é uma situação em que há investimento de tempo, disposição, atenção, movimento, as "energias", pulsões, etc, seja qualquer for a ótica, científica ou não. Se pensarmos mais radicalmente, há relacionamentos de "amizade" para o qual o relacionamento conjugal da pessoa fica no chinelo.

Por que tal atividade humana só é considerada sob o prisma da "possibilidade de relacionamento de alto nível" (as 2,3,4,5 intenções) quando é para o sexo oposto? Quer dizer, partindo desse preconceito, uma pessoa que tem todo esse investimento para uma pessoa do mesmo sexo não trará considerações dos outros sobre a possibilidade de algo além da amizade.

Já na pergunta temos esse preconceito (que não é unanimamente negativo) implícito..."sendo os dois heterossexuais".

Essa amizade homem e mulher toma os contornos de algo "que pode mais" principalmente nos relacionamentos em que há "brechas" da parte de pelo menos um dos envolvidos. Existem situações em que não há nem a necessidade de se ter a amizade, um vínculo mais íntimo, tamanha a desconfiança, conflitos internos e carência de comunicação no relacionamento conjugal da pessoa.

Se formos considerar que a maioria dos casais encontraram seus parceiros no ambiente de trabalho, e iniciaram como colegas de trabalho, o pensamento é totalmente justificável.

Rogers no livro "Sobre o poder pessoal" relata um caso com uso da ACP em que o marido estava insatisfeito com o relacionamento e tinha interesse em se relacionar amorosamente com mais pessoas que tinham interesse também. Com o trabalho do Rogers, não só o marido como a esposa conseguirem outros relacionamentos e de quebra melhoraram o próprio relacionamento. Diálogo nesse caso fez toda diferença.

Eu faço parte de uma sala com 37 pessoas, sendo eu e mais dois "cuecas". Ou seja, tenho 34 mulheres como colega de sala. Chega a um ponto em que precisamos vencer as "determinações culturais" para o bom andamento do curso rs

Texto também em tópico no orkut.

sábado, 5 de setembro de 2009

O que se busca num relacionamento?

Primeiro vc precisa definir a que tipo de relacionamento você está se referindo, amoroso, conjugal, familiar, animal.

A que pessoas você está se referindo, mulher, homem, adulto, criança, idoso.

Depois que tipo de orientação, sociedade, disposição socioeconomica e etc.

Como você já definiu "pessoas", é suficiente para demonstrar que estamos falando de interação, existência. Logo, definições evolucionistas como R sexo masculino (fecundação maior n de fêmeas) e r sexo feminino (cuidadora) não são suficientes para nos definir pois não é necessária a fecundação "in natura" para gerarmos um novo ser da nossa espécie. O que poderia se dizer é que somos autopoiéticos, recriamos a nós mesmos. Discute-se inclusive o quanto o homem é necessário em relação a isso. Por enquanto temos com certeza a biologia ao nosso lado pois é prazeroso para nós e todos os outros animais o acasalamento. Mas mais uma vez, com a capacidade superior humana de imaginação/racionalização, procuramos meios desse significado biológico ir por àgua baixo uma vez que o prazer está mais direcionado às maquinas que nós mesmos criamos do que ao sexo "em si".

Se você pretende buscar o relacionamento pelo prisma "universal", algo que seja comum para todos os povos independentemente das condições mencionadas acima, então você entra num campo mais comum da filosofia, que é o pensamento do todo, e provavelmente vai desembocar num conceito de ontologia humana embasado na filosofia voluntarista ou na filosofia existencialista que são as reações à metafísica e aos modos de conceber o humano ao longo do pensamento ocidental.

Para a psicologia, o que pode ter conexão direta de pesquisa são as formas de conceber esse relacionamento considerando todas as suas dimensões, por meio dos comportamentos e significados atribuídos ao longo da relação ou apenas pelos comportamentos num prisma anti-mentalista. Ou seja, nossa preocupação não seria tanto de procurar desvelar todos os fundamentos universais humanos mas como a potencialidade desses fundamentos se dá (já que eu sou abertura, o que é este outro para mim? - Dulce Critelli) nos relacionamentos que ela estabelece ao longo da vida. Vale lembrar por exemplo que isso envolve a concepção de coerência, ou seja, a pessoa manter comportamentos similares com pessoas e locais diferentes, ou então a criatividade, capacidade de inovar e flexibilizar sua conduta, chamado rapport erikssoniano.

Algo que eu li recentemente e tem fundamento na filosofia nietzschiana é o pensamento do corpo pelo corpo mesmo, ou seja, o que o corpo sente é o que queremos e o que estimulará nossa vontade de poder. Isso me faz pensar nas limitações que estabelecemos no relacionamento e na nossa vida como um todo e essa concepção é corrente em diversas teorias e práticas atuais na psicologia, principalmente nas que estudam a questão da liberdade e a ausência de causas para o existir humano.

Como vc pode ver, o caminho que pauta seu "o que" no relacionamento para uma relação de causa encontra lacunas e pouca autenticidade, uma vez que limita e desconsidera a capacidade intencional humana, como por exemplo na expressão da arte (fundamento humano para Nietzsche).

Com essa base, a minha resposta tem mais sentido: o que se busca do outro é existência. Eu ainda não tenho um embasamento sintético dessa resposta, mas é basicamente conceber o relacionamento não como causa (eu tenho relacionamento para ter isso e aquilo) mas como consequência/contingência (eu SOU relacionamento). Tudo o que eu faço é relacionamento. Um relacionamento de uma forma específica não pode ser determinado como necessidade, mas como mais uma possibilidade, em coerência ao conceito de factiticidade, humano como jogado na natureza e contingência sartriana. Mesmo que algo não exista ou que seja um evento não compartilhado eu me relaciono. Independentemente se estou num relacionamento amoroso, eu já estou me relacionando. Daí que as perguntas iniciais começam a ter um sentido mais nítido. Pois aí sim eu passo a considerar o relacionamento amoroso não como um fim, necessidade, preenchimento de falta, dever, mas como possibilidade e diversidade de com quem, quando, como, onde, por que, pra que. Aqui se revelam todas as barreiras teóricas e ideológicas que nós podemos ter.