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sábado, 5 de junho de 2010

Comentário sobre reportagem "Cabeça de homem"


Branco, alto, magro, sem calvice, com carro e imóvel, sorriso claro sem falhas, estabilizado financeiramente, com/concluindo superior.
"Pequena amostra" seletíssima...
A "mulher ideal" deles é simplesmente uma mulher inteligente e simpática, provavelmente com formação superior, que saiba agradar em casa e ao sair para comer/beber/dançar, sem ciúmes e com projeto para vida profissional.
Se considerarmos que a escolaridade média das mulheres é mais alta que a dos homens, que elas estão conquistando grande espaço/qualificação no mercado de trabalho, que dança lhes é algo incentivado culturalmente, que é difícil uma mulher gostar de ficar plantada em casa, o "ideal" que sobra é "não quero casar mas me dedico a você". bah...





sábado, 26 de setembro de 2009

Quando o que era relacionamento termina em suicídio


Algo que eu encontrei de muito interessante estudando sobre o suicídio, e que vale para outros comportamentos é: SE a pessoa precisa chegar ao nível de pensar em suicídio, já é motivo para precoupação.

Ainda que a pessoa não tivesse a capacidade de concretizar o ato, no mínimo pode ser entendido como um pedido de atenção. Aqui que ocorre o grande erro nos relacionamentos: "não vou dar o braço a torcer". Quando o intercâmbio não encontra complemento, começa esse jogo "quem prova mais?". Esse tipo de atitude foi a mesma que a namorada desse jovem chileno fez. Inclusive, para se chegar no pensamento de suicídio, já é prova cabal que não há diálogo de forma que se explicite as necessidades individuais, o que cada um quer e como se faz para alcançar isso. Considero boa prática ir além da "tacitacidade" dessas (de)limitações e falar abertamente sobre o que se quer no relacionamento.

É comum relativizar esses comportamentos, menosprezar, "psicologizar". Daí que vem a fala "as brigas são normais no relacionamento, nenhum é perfeito". E o que é discutido nas brigas? "Po***, eu odeio que vc fique fazendo isso e isso, que m****, por que que vc vive fazendo isso e isso? Já falei (na nossa última briga) que eu quero isso e isso".

Importante que essa prática não implica de maneira alguma voltar a ter/constituir o relacionamento, mas como pode algo que se estrutura ao longo de anos repentinamente terminar e as pessoas acharem que "tudo bem"? As pessoas utilizam o relacionamento como motivação, embasamento para ações, planos de vida, memória de momentos íntimos ou coisas em comum e para o lado negativo, co-dependência, muleta, culpado. Não há quem aguente essa mudança brusca e é interessante notar também que o rapaz tinha 26 anos, provavelmente formado, pelo menos com alguma profissão na carteira. Faixa alvo das estatísticas de suicídio.

É preciso segurar a onda e perceber que não foi fácil ter o relacionamento nem vai ser fácil sair (considerando relacionamento de vínculo forte, pois o "fast-relate" é tarefa artística levada a cabo pelos jovens nos encontros de massa via ranking de beijadas e encoxadas).

Respeitada as proporções, pensar e falar em se suicidar não é uma "cantada". Mesmo que isso se mantenha no relacionamento, não é "legal" nem de longe sinal de qualidade de um relacionamento ter a necessidade desse tipo de atitude, mostra inclusive como foi e se dá fracamente a forma como os envolvidos fomentam o bem estar do parceiro.

Tópico também no orkut.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Amizade entre homem e mulher

Um colega pergunta: Como a sociedade vê a amizade entre homem e mulher, sendo os dois heterossexuais? Há preconceito?

Engraçado que se pensa isso quando a questão é em relação ao sexo oposto.

Amizade já é uma situação em que há investimento de tempo, disposição, atenção, movimento, as "energias", pulsões, etc, seja qualquer for a ótica, científica ou não. Se pensarmos mais radicalmente, há relacionamentos de "amizade" para o qual o relacionamento conjugal da pessoa fica no chinelo.

Por que tal atividade humana só é considerada sob o prisma da "possibilidade de relacionamento de alto nível" (as 2,3,4,5 intenções) quando é para o sexo oposto? Quer dizer, partindo desse preconceito, uma pessoa que tem todo esse investimento para uma pessoa do mesmo sexo não trará considerações dos outros sobre a possibilidade de algo além da amizade.

Já na pergunta temos esse preconceito (que não é unanimamente negativo) implícito..."sendo os dois heterossexuais".

Essa amizade homem e mulher toma os contornos de algo "que pode mais" principalmente nos relacionamentos em que há "brechas" da parte de pelo menos um dos envolvidos. Existem situações em que não há nem a necessidade de se ter a amizade, um vínculo mais íntimo, tamanha a desconfiança, conflitos internos e carência de comunicação no relacionamento conjugal da pessoa.

Se formos considerar que a maioria dos casais encontraram seus parceiros no ambiente de trabalho, e iniciaram como colegas de trabalho, o pensamento é totalmente justificável.

Rogers no livro "Sobre o poder pessoal" relata um caso com uso da ACP em que o marido estava insatisfeito com o relacionamento e tinha interesse em se relacionar amorosamente com mais pessoas que tinham interesse também. Com o trabalho do Rogers, não só o marido como a esposa conseguirem outros relacionamentos e de quebra melhoraram o próprio relacionamento. Diálogo nesse caso fez toda diferença.

Eu faço parte de uma sala com 37 pessoas, sendo eu e mais dois "cuecas". Ou seja, tenho 34 mulheres como colega de sala. Chega a um ponto em que precisamos vencer as "determinações culturais" para o bom andamento do curso rs

Texto também em tópico no orkut.

sábado, 12 de setembro de 2009

Para ter um sentido na vida é preciso co-existir?

"O único sentido íntimo das coisas / É elas não terem sentido íntimo nenhum". Alberto Caeiro (FP)

Isso para mim soa como ideologia. O fato de sermos "animais gregários", ou seja, deliberadamente nos juntarmos para facilitar as coisas que estão ao nosso redor, não justifica dizer que por isso teremos sentido de vida. O erro já começa do fato de não termos "vida", ainda que se convém usar o termo, pois somos existência. Utilizemos vida para os animais que são aprisionados numa única forma de viver e se relacionar. Eu, como humano, não passo a existir porque alguém está existindo comigo, agora, ainda que eu fosse sozinho no mundo, eu teria toda a forma de me relacionar com o outro, pois ontológicamente somos abertura.

Nascemos sós e morremos sós, e alguns entendem isso como abandono, com Sartre definindo esta forma de se relacionar como irresponsável. Quando se fala em sentido de vida e que isso envolveria "precisar de alguém", já definimos algo que não é inerente do humano que se caracteriza exatamente por não precisar de alguém para existir, se faz como existência independentemente do outro e sua vontade, e ter o nada como seu fundamento, daí então o conceito de intencionalidade, ele só é à medida em que é projeto, em que sua consciência é consciência DE alguma coisa.

Existe independemente do outro para ter moral e agir éticamente, conceito esse desenvolvido por alguns autores como Kant, Hegel, e os gregos clássicos, humano como autonomo, com capacidade de por ele mesmo e por meio de sua faculdade humana superior, a razão, ser dotado de princípios e uma conduta baseada com e pelo dever ou numa luta interior, "agonismo". Para Kant, a razão sozinha é suficiente para determinar e subjugar a vontade, agindo então não apenas de acordo mas pelo dever, de forma que sua máxima seja universalizável.


E o inconsciente? Já não é uma forma do relacionamento amoroso?

É importante deixar claro que aqui parte-se do pressuposto de que há uma entidade, um Eu alheio, dominante e encodificador que nos determinaria pelo que se constitui então psíquico. Até no mito intrafamiliar triádico, não há necessidade da presença física de um pai castrador ou de uma mãe acolhedora, pois, já em coerência com o contexto da Psicanálise, o que importa é representantes psíquicos.

Texto na íntegra no orkut.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Egocentrismo? Humanos individualistas?

Pra mim, egocentrismo seria considerar o humano como um ser faltante, carente, determinado pelas posses, que só se relaciona porque supostamente adquiriria posse e preencheria essa falta que se não fosse ontológica seria instalada pelos outros, daí então saber quem é feliz e quem não é. Essa concepção toma o ser humano por causa e estaria coerente com a afirmativa "eu TENHO relacionamento", "eu TENHO amor", "eu TENHO sexo". Uma maquina ideológicamente processada e enquadrada.

Eu parto de um princípio existencialista em que cada um faz para si mesmo, ser humano como projeto, transcendental, intencional. "Existência não é a necessidade. Existir, já está aí, simplesmente". Agir de forma individualista está numa dimensão "ôntica", contingencial a existência, relacionada à forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Não posso ser eu e ela ao mesmo tempo, não haveria temporalidade e espacialidade que caracterizam a existência humana. Da forma como propõe, relacionamento estaria mais para um imperativo categórico, um dever universal, inquestionável sem qualquer distinção de conteúdo.

Relacionamento amoroso nem pela ética helenística (prazer) seria coerente considerá-lo uma vontade ou necessidade indispensável.

Este texto também no orkut.

sábado, 5 de setembro de 2009

O que se busca num relacionamento?

Primeiro vc precisa definir a que tipo de relacionamento você está se referindo, amoroso, conjugal, familiar, animal.

A que pessoas você está se referindo, mulher, homem, adulto, criança, idoso.

Depois que tipo de orientação, sociedade, disposição socioeconomica e etc.

Como você já definiu "pessoas", é suficiente para demonstrar que estamos falando de interação, existência. Logo, definições evolucionistas como R sexo masculino (fecundação maior n de fêmeas) e r sexo feminino (cuidadora) não são suficientes para nos definir pois não é necessária a fecundação "in natura" para gerarmos um novo ser da nossa espécie. O que poderia se dizer é que somos autopoiéticos, recriamos a nós mesmos. Discute-se inclusive o quanto o homem é necessário em relação a isso. Por enquanto temos com certeza a biologia ao nosso lado pois é prazeroso para nós e todos os outros animais o acasalamento. Mas mais uma vez, com a capacidade superior humana de imaginação/racionalização, procuramos meios desse significado biológico ir por àgua baixo uma vez que o prazer está mais direcionado às maquinas que nós mesmos criamos do que ao sexo "em si".

Se você pretende buscar o relacionamento pelo prisma "universal", algo que seja comum para todos os povos independentemente das condições mencionadas acima, então você entra num campo mais comum da filosofia, que é o pensamento do todo, e provavelmente vai desembocar num conceito de ontologia humana embasado na filosofia voluntarista ou na filosofia existencialista que são as reações à metafísica e aos modos de conceber o humano ao longo do pensamento ocidental.

Para a psicologia, o que pode ter conexão direta de pesquisa são as formas de conceber esse relacionamento considerando todas as suas dimensões, por meio dos comportamentos e significados atribuídos ao longo da relação ou apenas pelos comportamentos num prisma anti-mentalista. Ou seja, nossa preocupação não seria tanto de procurar desvelar todos os fundamentos universais humanos mas como a potencialidade desses fundamentos se dá (já que eu sou abertura, o que é este outro para mim? - Dulce Critelli) nos relacionamentos que ela estabelece ao longo da vida. Vale lembrar por exemplo que isso envolve a concepção de coerência, ou seja, a pessoa manter comportamentos similares com pessoas e locais diferentes, ou então a criatividade, capacidade de inovar e flexibilizar sua conduta, chamado rapport erikssoniano.

Algo que eu li recentemente e tem fundamento na filosofia nietzschiana é o pensamento do corpo pelo corpo mesmo, ou seja, o que o corpo sente é o que queremos e o que estimulará nossa vontade de poder. Isso me faz pensar nas limitações que estabelecemos no relacionamento e na nossa vida como um todo e essa concepção é corrente em diversas teorias e práticas atuais na psicologia, principalmente nas que estudam a questão da liberdade e a ausência de causas para o existir humano.

Como vc pode ver, o caminho que pauta seu "o que" no relacionamento para uma relação de causa encontra lacunas e pouca autenticidade, uma vez que limita e desconsidera a capacidade intencional humana, como por exemplo na expressão da arte (fundamento humano para Nietzsche).

Com essa base, a minha resposta tem mais sentido: o que se busca do outro é existência. Eu ainda não tenho um embasamento sintético dessa resposta, mas é basicamente conceber o relacionamento não como causa (eu tenho relacionamento para ter isso e aquilo) mas como consequência/contingência (eu SOU relacionamento). Tudo o que eu faço é relacionamento. Um relacionamento de uma forma específica não pode ser determinado como necessidade, mas como mais uma possibilidade, em coerência ao conceito de factiticidade, humano como jogado na natureza e contingência sartriana. Mesmo que algo não exista ou que seja um evento não compartilhado eu me relaciono. Independentemente se estou num relacionamento amoroso, eu já estou me relacionando. Daí que as perguntas iniciais começam a ter um sentido mais nítido. Pois aí sim eu passo a considerar o relacionamento amoroso não como um fim, necessidade, preenchimento de falta, dever, mas como possibilidade e diversidade de com quem, quando, como, onde, por que, pra que. Aqui se revelam todas as barreiras teóricas e ideológicas que nós podemos ter.

domingo, 30 de agosto de 2009

A virtualidade das relações interpessoais atuais

"...Herdeiros são agora
Da virtude que perdemos...
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro..." Renato Russo

Ao mesmo tempo que a tecnologia proporcionou novas formas de se relacionar (como por exemplo um jovem com deficiência, sem poder andar e falar ser um dançarino requisitado no Second Life), ela também não limitou velhas formas de se relacionar? Dificilmente se tem brincadeiras "físicas", simples como pega-pega e esconde-esconde (aliás, isso é sexual...tomar cuidado e ensinar métodos contraceptivos, "já com pouco idade estão dando"...).

Não se pode abordar o assunto criticando o que a tecnologia nos trouxe, que é muito bom obrigado e estamos utilizando agora, mas o que ela nos tirou ou que no mínimo nos limitou a percepção (ou então nos faz emocionar ao ver recordações de brincadeiras, alimentos e programas no rádio ou na tv da infância).

Pensando de uma forma básica, quanto você costuma tocar uma pessoa ao longo do dia? Quanto você se toca ao longo do dia? Quanto você usa o seu corpo que não seja ficar sentado na frente do computador ou de pé num coletivo para se locomover a um local onde você possa ficar novamente sentado na frente do computador?

Essas perguntas acho que fariam mais sentido se fossem: Quanto você costuma tocar no "mouse" ao longo dia? Quanto você tocou no seu celular ao longo do dia? Nossos instrumentos tecnológicos, já nossos, MEU, são tão nossos que nós tocamos mais nele do que em nós mesmos ou em quem gostamos. É como se já nascessemos com o celular acoplado. Daí vem consequências danosas e ideológicas, como nascermos consumidores, competindo, quantos espermatozóides não lutaram para apenas um ser você? Você não tem celular ainda? De que planeta você veio?

Agora, com a tecnologia, a ilusão de relacionamento é mais forte do que nunca. Temos prazer em conseguir não mais em abraçar, em beijar, em conversar e paquerar, mas em ver compilação de todas as formas possíveis de sexo. Conhecemos bem uma atriz pornô mas temos dificuldade em falar sobre nossa colega de sala há uns 3 anos.

Essa síndrome de modernidade reflete bem nos anúncios de lojas de manutenção: "Evite solidão, consertamos seu playstation". O segredo atual está na virtualidade. É ela que está delineando nossa subjetividade e fazendo repensar os processos, até os programas de televisão estão utilizando da virtualidade para ter mais interação. Não que você interaja, como um exercício no teatro do oprimido, mas escrever um texto do celular significa que você existe. Você não é ninguém. Você agora tem nickname e mais, seguidores que você não faz a mínima ideia quem sejam.

Sempre que eu vejo músicas ou compilações dos anos 80 no YouTube, ou então slides em correntes por email, eu leio comentários saudosistas, pessoas realmente querendo voltar no tempo e vivë-lo novamente, pior, dizendo o quão ruim está atualmente, não apenas culturalmente mas no cotidiano, como andar nas ruas, o noticiário, a moradia e a sensação de segurança.

Fica então a dúvida: será que chegaremos num ponto em que seremos tão "virtualizados" que não mais nos preocuparemos se estamos tocando fisicamente mas o quanto estamos tocando subjetivamente uma pessoa? será que descobriremos que a balança está pesando mais de um lado que do outro e precisamos reavaliar o que temos por relacionamento e corporeidade?

Sobre relacionamentos amorosos - parte 2

O que eu não consigo entender é: pra que o casamento? É o tipo de coisa que a gente aceita como tradição cultural, mas esquece que criação também é cultural. Aparentemente é mais um contrato regendo nossa vida de formalismo, dever.

Isso me faz pensar também na nossa forma de lidar com os problemas e dificuldades: poucos enfrentam. O comum é tirar o time de campo, deixar quieto, desencanar, não esquentar a cabeça, tá ruim vai embora, ame-o ou deixe-o, e por aí vai. Também se critica e não se propõe outras soluções, formas de melhorar, sempre a grama do vizinho é mais verde e pra lá que eu vou.

Voltando na questão do relacionamento, a sua ausência, já comercializada em solidão, revela-se um martírio. Hoje as pessoas não sabem ser só. Não se propõe autonomia para essa questão, toma-se isso por inviável, nem se faz com que essa condição seja um pilar para crescimento de qualquer outra atividade. Você é só e é sofredor, perdedor. Todos os dispositivos institucionais estão ao meu favor.

Todas as novelas, ao longo de todos os capitulos, têm vários relacionamentos amorosos ou conjugais, com mais ou menos intimidade, brigas. Relacionamento amoroso é o grande objetivo. Não veremos solteiros se dando bem. Haverá neles algo fundamental "em falta", o outro, que não é que a própria possibilidade, potencialidade.

Nossa potencialidade é exatamente a nossa capacidade ontológica de fazer com que o outro se revele a nossa percepção, que tenhamos abertura para experienciá-lo. Não se possui um relacionamento, se experiencia. Não há posses, como se pensa em casamento, que consigam dar conta de "deter" o outro, agora você é meu.

Assim, acho uma análise coerente sobre o relato do rapaz que mantém um relacionamento com uma pessoa em que ele observa comportamentos desagradáveis, conflituosos, superficiais mas insiste nesse relacionamento, não se limitar a abordar como um erro, uma impossibilidade de "ter mais", atos de "cabeça-dura". Ele experienciou todos os momentos, doentio ou não, ele viveu o relacionamento. Poderia-se dizer assim como ele foi um "experimentalista", flertou, namorou, casou, brigou, chegou a hora de continuidade no devir, no fluxo que caracterizou até então sua existência. A instituição oficializada não pode ser um fim de vida. Seria interessante pensar assim, além da desconstrução do casamento mas a sua melhoria, o que se pode mais.

Isso me fez pensar no nosso comportamento: fica-se arrumado quando se está solteiro, pra ficar sossegado depois de casado ou somente após casado é que a pessoa "toma jeito"?

Você também encontra este texto em

sábado, 6 de dezembro de 2008

Relacionamentos Amorosos

Pergunta de um colega:
"Como equilibrar relacionamento amorosos monótonos, sem sentimento? Como trazer o gosto, o sentimento novamente? A resposta poderia ser simplemente mudar, transformar, renovar, recomeçar, mas como?"

O gosto e o sentimento já estão lá, tanto que ficar sem esse contato faz falta, aliás, até o contato sem intimidade pode trazer solidão ou falta de conexão emocional/afetiva, então, o outro e o que ele proporciona não são garantia da minha felicidade pois envolvem a forma como eu e ele reagimos e lidamos dentro de um relacionamento, isso envolve alter e auto-conhecimento, daqui que se pode pensar em equilíbrio e harmonia. A questão aqui é saber o que se quer do outro, o que se busca, saber o por quê de se estar junto desse outrem, essas perguntas encaminham para outras e sempre estarão ligadas com as iniciais.

Muitos estímulos e situações do dia-a-dia podem atrapalhar o relacionamento, ou seja, não é "culpa" da "falta" de sentimento, mas o estresse mesmo que atrapalha na forma de lidar com o outro, principalmente se afeta nosso humor. Nesse tipo de situação, o melhor é e sempre será o diálogo, pois é dele mesmo que se saberá se é preciso mais ou menos contato, inclusive de solitude, o "tempo". Fomentar o bem-estar do outro, como bom indexador na psicologia social, está atrelada nesse diálogo, eu não tenho como saber o que o outro quer de mim sem me comunicar com ele e vice-versa.

Outra questão é essa necessidade de "relacionamento 100%", estamos sempre insatisfeitos (afetiva e materialmente), somos verdadeiras máquinas de consumo, mais famintas e ferozes, invariavelmente, o relacionamento é indissociável dessa condição e passa por fases de incertezas, dúvidas, remanejamento e é excelente que se tenha tal situação, pois a conseqüência, se a questão é adequadamente abordada e trabalhada, é de fortalecimento do relacionamento. Portanto, não há relacionamento sem engajamento, é preciso responder às necessidades, elicitar as próprias e distinguir sua eficácia, tudo isso envolve cuidado de um para com o outro.



Reflexão de uma colega:
"Rotina só existe para quem não ama.
Quando existe amor,paixão e desejo não existe rotina que consiga acabar com um relacionamento."


Infelizmente, discordo. Há uma influência hormonal enorme nas nossas ações quando estamos apaixonados, e muita da nossa energia é direcionada ao outro, mudando nossa forma de experienciar o momento, até pela nossa tendência atualizante, já que muitas das nossas capacidades são desenvolvidas e ajustadas na presença do outro, tanto que estar com o outro, nessa situação, é muito bom obrigado. Com o tempo, é extremamente comum que o amor, por mais sublime e apaixonante que seja, caia numa espécie de rotina, ou que seja além da conta se considerarmos a auto-estima da pessoa. Vários aspectos da pessoa são descobertos e "acostumados", não há surpresas significativas, confrontadas com a velocidade e mutabilidade da "pós-"modernidade.

Penso que você encaminhou seu comentário numa forma interessante: "não há rotina se há desejo", a rotina é uma conseqüência natural, mas há formas de suplantá-la que aí sim, e já remetendo ao título do tópico, podem "esquentar" a rotina. Os exemplos mais fáceis são os mais significativos, todo casal tem costumes, "segredinhos", experiências românticas (não as idealizadas, mas o consumismo realizado e singularizado à experiência em comum) é daqui que encontramos tanto aquilo que pode reesquentar o relacionamento como eliminar os aspectos massantes, reviver essas experiências e destacar seu significado são ações que valorizam o relacionamento e a singularidade que ele adquiriu aos seus participantes.

Utilizo-me de um trecho de Musset que li num livro de Álvares de Azevedo, "Uma lembrança feliz é talvez, sobre terra, mais verdade que a felicidade." ou seja, são as construções do casal ao longo da vivência que fornecem sinais do que está em falta, do que precisa se aprofundar, do que deve ser eliminado.


Essa discussão pode ser lida na íntegra:
http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=46802&tid=2595128244414627893&na=1&nst=1