domingo, 6 de março de 2011

A solidão é processada na mesma area que a dor ?

Minhas resposta à pergunta: A solidão é processada na mesma area que a dor ?


Mesmo que fosse na mesma área do córtex (cognição), ou do sistema límbico (afetividade), não justifica, é um reducionismo barato. Além do exemplo que o colega Carlos apresentou, se fosse assim não haveria pessoas que pediriam por um momento sozinhas, seja para relaxar, "esfriar a cabeça", "pensar na vida". 

É preciso admitir a realidade que estamos valorizando comportamentos de características individualistas, como o aumento no número de casais separados, divórcios, pessoas morando sozinhas, relacionamentos íntimos instantâneos, preferências por meios digitais para se comunicar.

Todos temos necessidades, várias necessidades. Estar em grupo, amar, ser aceito é uma delas, e das mais básicas. É tão forte isso que nascemos precisando que um outro (mãe ou "mãe", que cada abordagem na psicologia dá um nome diferente) faça tudo por nós. O que chamamos de "estar sozinho" é expressar uma necessidade nossa que vem carregada de sentimentos negativos. O passo adiante é pedir, e daí em diante a dor que é expor ou a dor que é não expor esta nossa necessidades (Marshall Rosemberg - livro Comunicação Não Violenta). 

Lendo o M.R. esse questionamento se mostra relevante: será que realmente mostramos nossas necessidades e pedimos para elas sejam satisfeitas? Taí uma reflexão sobre as nossas ações. O legal é que dessa forma até conseguimos saber claramente se seremos ou não atendidos rs

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Solidão: evolução intrapessoal?

Pergunta: A solidão é consequência da evolução intrapessoal?

Pra qualquer teoria na Psicologia atual que você estudar, mesmo as mais deterministas, evoluir jamais será "estar só", ou que a solidão seja o resultado de uma evolução. 
O bebê começa se relacionando com a mãe. À medida que ele adquiri mais habilidades e uma melhor percepção de mundo, sua rede de relacionamentos e as formas de agir especificamente para cada vínculo aumentam. 

Trago o exemplo de um sonho que o Medard Boss analisou e publicou num dos seus artigos e reflete o que estou dizendo. Um jovem rapaz que estava em terapia sonhou que viu de longe umas figuras que se assemelhavam a humanos. Ele pegou um binóculo e viu que se tratavam de algumas jovens mulheres. Com a evolução da terapia e próximo do seu término, ele sonhou novamente e conseguiu não apenas ver as mulheres sem precisar do binóculo como pôde conversar com elas. 
Seria uma evolução o rapaz avistar a vida inteira as mulheres de binóculo? Se a sua terapia não for para formar padres, há uma grande chance de fracasso e piora do quadro do paciente.



domingo, 4 de julho de 2010

Comentário sobre o post "O homem mediado"

O homem mediado - Daniel Piza


Excelente texto, bom para ler e refletir.
Fica a dúvida: quando a tecnologia será utilizada para nos aproximar do real e não simulá-lo? A boa proposta é facilitar as atividades mais burocráticas para dedicarmos mais tempos às pessoas e aos “momentos”.

Partindo do seu texto, Piza, é possível refletir, o que é estar fora da tecnologia? É como se estivéssemos “perdendo” algo, ou fazendo da forma errada. Talvez as pessoas e os relacionamentos interpessoais sem “mediação tecnológica” estejam sendo inclusos aí, nessa condição.

Há saídas para a desigualdade social e econômica?

Como pode uma família e seus integrantes construirem suas vidas de forma tão insustentável a ponto de ter de pedir esmola, colocar seus filhos ainda crianças para trabalhar precariamente, alimentarem-se de restos nos lixões, habitarem em locais de risco e viverem como se não houvesse saídas senão a vida limitada, o sofrimento e a morte?

Serão os programas de transferência de renda (bolsa-família e similares estaduais) suficientes para que as necessidades mais básicas dos seres humanos sejam atendidas?

Conseguiremos pelos programas sociais e pela cultura de paz superar essa situação?

O absurdo disso tudo é que ao mesmo tempo em que algumas famílias possuem um padrão de consumo de alto nível por várias gerações, sem interrupção, outras várias famílias sofrem para alcançar um padrão mínimo de consumo e sobrevivência e ambas vivem sob o mesmo céu, mas em condições tão diferentes e como se para as famílias de uma condição não existisse as famílias de outra condição.

sábado, 5 de junho de 2010

Comentário sobre reportagem "Cabeça de homem"


Branco, alto, magro, sem calvice, com carro e imóvel, sorriso claro sem falhas, estabilizado financeiramente, com/concluindo superior.
"Pequena amostra" seletíssima...
A "mulher ideal" deles é simplesmente uma mulher inteligente e simpática, provavelmente com formação superior, que saiba agradar em casa e ao sair para comer/beber/dançar, sem ciúmes e com projeto para vida profissional.
Se considerarmos que a escolaridade média das mulheres é mais alta que a dos homens, que elas estão conquistando grande espaço/qualificação no mercado de trabalho, que dança lhes é algo incentivado culturalmente, que é difícil uma mulher gostar de ficar plantada em casa, o "ideal" que sobra é "não quero casar mas me dedico a você". bah...