domingo, 4 de julho de 2010

Comentário sobre o post "O homem mediado"

O homem mediado - Daniel Piza


Excelente texto, bom para ler e refletir.
Fica a dúvida: quando a tecnologia será utilizada para nos aproximar do real e não simulá-lo? A boa proposta é facilitar as atividades mais burocráticas para dedicarmos mais tempos às pessoas e aos “momentos”.

Partindo do seu texto, Piza, é possível refletir, o que é estar fora da tecnologia? É como se estivéssemos “perdendo” algo, ou fazendo da forma errada. Talvez as pessoas e os relacionamentos interpessoais sem “mediação tecnológica” estejam sendo inclusos aí, nessa condição.

Há saídas para a desigualdade social e econômica?

Como pode uma família e seus integrantes construirem suas vidas de forma tão insustentável a ponto de ter de pedir esmola, colocar seus filhos ainda crianças para trabalhar precariamente, alimentarem-se de restos nos lixões, habitarem em locais de risco e viverem como se não houvesse saídas senão a vida limitada, o sofrimento e a morte?

Serão os programas de transferência de renda (bolsa-família e similares estaduais) suficientes para que as necessidades mais básicas dos seres humanos sejam atendidas?

Conseguiremos pelos programas sociais e pela cultura de paz superar essa situação?

O absurdo disso tudo é que ao mesmo tempo em que algumas famílias possuem um padrão de consumo de alto nível por várias gerações, sem interrupção, outras várias famílias sofrem para alcançar um padrão mínimo de consumo e sobrevivência e ambas vivem sob o mesmo céu, mas em condições tão diferentes e como se para as famílias de uma condição não existisse as famílias de outra condição.

sábado, 5 de junho de 2010

Comentário sobre reportagem "Cabeça de homem"


Branco, alto, magro, sem calvice, com carro e imóvel, sorriso claro sem falhas, estabilizado financeiramente, com/concluindo superior.
"Pequena amostra" seletíssima...
A "mulher ideal" deles é simplesmente uma mulher inteligente e simpática, provavelmente com formação superior, que saiba agradar em casa e ao sair para comer/beber/dançar, sem ciúmes e com projeto para vida profissional.
Se considerarmos que a escolaridade média das mulheres é mais alta que a dos homens, que elas estão conquistando grande espaço/qualificação no mercado de trabalho, que dança lhes é algo incentivado culturalmente, que é difícil uma mulher gostar de ficar plantada em casa, o "ideal" que sobra é "não quero casar mas me dedico a você". bah...





quinta-feira, 3 de junho de 2010

Violência e conflito

A violência não é natural do ser humano, ela é naturalizada, como se fosse algo natural, com que as pessoas nascem ("esse aí vai ser bandido quando crescer", "o cérebro daquele adolescente é diferente do seu"), banalizada como se fosse algo do cotidiano de tão comum e sem consequências punitivas/mediadoras. Ela é propagada pelos mecanismos culturais da sociedade, aprende-se a ser violento e agir de forma a intervir negativamente na vida do outro. Assim como a violência é cultural, a cultura de paz também se constrói e se aprende pelos seres humanos, todos precisamos construir socialmente a paz. 

Há diferença entre o conflito e a violência. O conflito é um desacordo/incompatibilidade entre duas ou mais pessoas em relação a suas opiniões, valores, objetivos ou necessidades, faz parte da condição humana. 
A forma como encaramos os conflitos é que os torna negativos ou positivos. Já a violência tem a característica de anular e prejudicar o outro, ferindo os direitos humanos. Não há possibilidade de mediação de conflitos em situações de violência mas inicialmente a ação é do poder judiciário.

A agressividade também tem conotação positiva ou negativa. Lutar pelos direitos humanos é uma forma de agressividade para algo que produza resultados positivos.

Tomando como exemplo a inclusão e exclusão, como queremos ter uma sociedade inclusiva se na própria ESCOLA os alunos já praticam exclusão e os responsáveis são convenientes com isso?

terça-feira, 1 de junho de 2010

Consideração sobre as "intoleráveis" religiões

Resposta a tópico no orkut:

As religiões não são a única causa das atitudes racistas, homofóbicas, misóginas. Existe uma estrutura socioeconômica na sociedade que permite e mantém essas atitudes. 

É só a gente pensar, por exemplo, na escola. Nosso grande objetivo no ensino médio é passar no vestibular. Matérias relacionadas à ética e a formação cultural do indivíduo são diretamente inexistentes e quando existem são matérias sem proposta pedagógica evoluída ou sem conteúdo reflexivo e questionador, mantendo o sistema de notas para avaliar os "bons indivíduos" e mostrar como são incompetentes e "rebeldes" os outros adolescentes. 

A escolha profissional vai sendo pautada no que "dá dinheiro" (só pensarmos nos tópicos da comunidade perguntando se "o mercado tá bom"), ou seja, os indivíduos vão sendo escolhidos, nos submetemos a trabalhos sem dignidade, extremamente desgastantes, aceitamos ser encoxados no trem e no metro porque estamos fazendo algo "produtivo" até o fim do dia, conseguiremos consumir alguns segundos de felicidade no fim de semana para sermos novamente encoxados na segunda-feira de manhã.

Nessas condições, as religiões aparecem para manter essa postura ideológica mas são mais um dos determinantes sociais que moldam o indivíduo.

Considerar "não tolerar o intolerável" pras religiões, é mais um discurso naturalizante pois a carga ideológica passa pro futebol...